Rios de saudades
Sobre os trilhos entrecruzados que deixam confuso o meu olhar, o trem... vai cortando caminhos, sinto a loucura dos ventos que sopram os matos, nessa sôfrega visão, tudo aparece e logo se esconde, o resto fica para trás, o futuro surpreenderá...
Enquanto minha alma voa, eu por mim... sou absurdo silêncio, e inerte, à janela do dito trem, embriago-me do verde, do cheiro dos matos que num todo mais parece um tapete aveludado, ao longe, não se sabe ao certo se é capinzal, canavial que se curvam ao sentirem os meus sonhos passando e invade-me os tons do tão verde que sempre me acalma... e os rios de saudades.
até que a trepidação do trem por fim me desperta, à janela lá vou eu ciente do que me fez a vida... ora durmo, ora voo nas asas dos ventos, louca que sou... Contando lentamente as vírgulas d'um tempo que já não pausa nem por um instante a minha saudade.
Liduina do Nascimento

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